17 agosto, 2016

Pérolas da Minha Surdez por Nuccia De Cicco

Pérolas da Minhas Surdez por Nuccia De Cicco
Editora Metamorfose - WWLivros - 119 páginas

Música, buzina, despertador e então... silêncio. Como se acostumar a não ter som e precisar aprender a se comunicar novamente?

As pessoas dizem verdadeiras pérolas sobre surdez, pois a maioria desconhece o assunto. Não compreendem o que é lidar com a ausência de um sentido tão importante, algo que sempre teve, sempre fez parte da sua vida, até o perder. E, então, ter de reinventar todas as suas verdades.

Nesta obra, a autora narra experiências de sua vida após o diagnóstico de surdez total irreversível, buscando ampliar o (re) conhecimento sobre o tema na sociedade. São histórias singulares, divertidas e complicadas, sobre paixões, curiosidades, tecnologias, preconceito, aprendizado e, principalmente, luta e força de vontade. 

Um livro que trilha o caminho em direção dos que almejam encontrar respeito, aceitação e voz.

"... sou deficiente auditiva surda profunda bilateral de caráter sensório-neural poliglota de identidade híbrida!"
                                  pg 54

Sabe quando você lê um livro e quer se tornar amiga do autor? Pois é, foi a minha vontade assim que terminei essa leitura. 

O livro trata de um assunto difícil, o momento onde a autora se tornou surda de maneira irreverssível, quase que da noite para o dia. 

Certo dia, Nuccia ao atender o telefone não ouve nada, troca de orelha e tudo ok. Nem chegou a dar muita atenção ao fato. Tempos depois, em uma consulta médica ela teve a confirmação: neurofibromatose, doença rara que acomete 1 a cada 40.000 pessoas em sua maioria mulheres, e o primeiro sintoma é a perda auditiva. 


Eu sou professora de Educação Física, e em uma das minhas andanças pelo mundo, lecionei em Piracicaba em uma escola que acolhia alunos surdos. Lá tinham intérpretes de Libras em todas as salas. Foram 2 anos de muito aprendizado, claro que não aprendi Libras, mas aprendi a como lidar com esse público e isso foi muito gratificante. Sei as letras do alfabeto, os números, um ou outro sinal e tenho o meu próprio que foi dado pelos alunos.

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O sinal que substitui o nome próprio normalmente é baseado em uma característica física. No meu caso, leciono sempre com o cabelo preso.

Eu como ouvinte, nem consigo imaginar o que é não ter esse sentido. Falo muito devido ao meu trabalho, danço, sou apaixonada por músicas, barulho de chuva, de onda... Mesmo já tendo trabalhado com esse público é impossível imaginar essa sensação, ainda mais num mundo como o nosso, que é pouco adaptado pra que tem algum tipo de necessidade especial.

"Prazer, surda tagarela ao seu dispor."
                                                                                   pg 55

Agora explico porque quero ser amiga da autora. O livro é narrado como se ela estivesse conversando com amigos numa mesinha de bar, ou no sofá de casa. Ela relata sua vida e problemas de maneira leve, descontraída e quase divertida.  

O livro é bem curtinho, mas o conteúdo é gigante. Ela mostra de forma natural como encarou esse processo, e ainda o encara. Em certo momentos chegamos a rir com a maneira como ela lida com as adversidades da vida, e em outros é impossível não se emocionar. 


Vale ressaltar que além dos relatos pessoais, ela acrescenta inúmeras informações técnicas sobre a surdez, o que torna a experiência literária muito mais rica. E pasmem, apesar de trabalhar na área, não sabia que os surdos não participavam das Paralimpíadas, e sim tinham uma própria pra eles, a Surdolimpíadas. Aprendendo sempre. 

Se eu recomendo a leitura? Sem sombra de dúvida. É um livro que traz uma visão sobre como encarar os problemas de maneira leve e natural. E ainda recomendaria fortemente para instituições de ensino. 

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12 agosto, 2016

O Escaravelho de Ouro por Edgar Allan Poe


O Escaravelho de Ouro por Edgar Allan Poe

O conto foi publicado pela primeira vez em 1843.

William Legrand é o que podemos chamar de caçador de tesouros. Ele mora isolado em uma ilha com seu servo e fiel escudeiro Júpiter. De tempo em tempos eles recebem a visitar de um amigo, que será nosso narrador nessa aventura. 

Certo dia ele encontra um artefato em forma de besouro, mais precisamente um escaraveljho de ouro. No auge da empolgação ele desenha essa descoberta pra o amigo, porém esse acha a imagem mais parecida com um crânio do que com um escaravelho. 

Tempos depois, o alucinado Legrand convence seu amigo a irem investigar um determinado ponto da ilha, onde ele acredita haver um tesouro escondido. Apesar de Júpiter e o narrador acharem que ele está louco, o acompanham nessa empreitada.

Aqui nós temos um conto mais longo que os anteriores, na edição que li ele tem 39 páginas, mas nem por isso menos interessante. Muito pelo contrário. O conto é bem estruturado e consegue prender a atenção do leitor do início ao fim da história. Diferente de outras obras de Poe, aqui nós não temos terror propriamente dito, mas algo mais próxima de uma caça ao tesouro. Uma verdadeira aventura que irá agradar apaixonados por Sherlock Holmes e Indiana Jones. 

Por ser um conto mais longo, o autor tem um tempo maior pra nos embrenhar em sua história e com isso nos tornamos quase íntimos de Legrand, acompanhando todo o seu empenho e crença na sua busca. Sentimos o carinho e atenção com que Júpiter acompanha o seu senhor, e temos o mesmo olhar cético do narrador. 

Sem dúvidas é mais uma obra primorosa desse mestre da literatura. Poe sabe usar as palavras e como ninguém consegue prender atenção do leitor até o final. Esse conto eu recomendo muito para aquelas pessoas que nunca o leram por receio de sua fama de mestre do terror. Não é isso que vemos aqui, mas sim uma aventura que tem seus mistérios, mas nada exatamente aterrorizante. 

Esse post faz parte do Desafio 12 Meses de Poe criado pela Anna Costa.

05 agosto, 2016

Primeiras Impressões de Seres do Além por Clayton de la Vie


Seres do Além por Clayton De La Vie
Editora Fonzie - 402 pgs

Uma única missão leva os irmãos Christine, Nicolas e David Richard a se embrenharem por caminhos tortos de um Mundo Mágico, onde desvendam os segredos relacionados à morte de sua mãe e se veem em um cenário repleto de mentiras e jogos de poder.

Além dos tradicionais elementos mágicos, Seres do Além reúne uma variedade de aspectos culturais humanos e também aborda uma mitologia própria.

Esqueça a sua definição sobre o bem e o mal, pois, no universo criado pelo autor paulista Clayton De La Vie, ambos se confundem; em certos momentos tornam-se um.

Eu já conhecia a escrita do Clayton de la Vie, e confesso que me tornei fã desde o início. Pra quem não o conhece, é um jovem rapaz de 20 e poucos anos, mas com um talento ímpar. 

Clayton de la Vie
Já conhecia a obra, e fiquei extremamente feliz quando soube que ela ganharia uma casa nova, e mais feliz ainda quando vi o resultado, mal posso esperar pra tê-lo em mãos. 

Mas vamos ao que achei. Eu sou uma apaixonada por fantasia, De todos os gêneros literários, talvez seja o que mais goste e me identifique. Logo, não tive nenhuma dificuldade pra entender o contexto. Aliás, esse é um livro excelente para aquelas pessoas que não leem fantasia, pois imaginam que irão ficar perdidas com um mundo diferente do nosso. O autor soube muito bem inserir cada uma das personagens, a ambientação da história é perfeita e a linguagem é totalmente acessível. Aliás, falando nisso, preciso fazer uma adendo. A linguagem usada pelo autor é impecável, e o vocabulário é riquíssmo. Só isso já valeria a dica. 

A narrativa é fluida, envolvente e surpreendente. Impossível não se envolver com a história dos irmãos, e vivê-la juntamente com o trio. E não só eles, todas as personagens são cativantes, cada uma ao seu modo. Cada passar de páginas, era uma alegria e um sofrimento ao mesmo tempo. Queria devorar o livro, mas não queria que acabasse. E agora necessito saber o que vem pela frente. 

Mesmo tendo lido um pouco mais de 100 páginas, posso garantir que é uma das histórias mais fantásticas que já li. Esse é daqueles livros que você precisa ler. 

O livro pode ser adquirido no site da Editora Fonzie

Pra conhecer mais do escritor, leia a entrevista que ele cedeu gentilmente pro Profissão: Leitora.