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14 setembro, 2015

O Grande Desaponte da Dadí


A HQ nos traz um pouquinho da história de um símbolo da cidade de Jundiaí: a Ponte Torta, que na verdade, de torta não tem nada. Ela era usada pra transporte de carga e de pessoas do final século XIX até início do século XX, mas com o aumento populacional e inúmeras enchentes, houve a necessidade de alargar as margens do rio. E hoje resta apenas o arco da antiga ponte. 
Mas chega de História e vamos à história. A HQ explora exatamente o momento onde é necessário adaptar o antigo ao novo. Porém, a autora usa de meios pra ir muito mais além. Ela consegue em poucas páginas fazer uma reflexão acerca da política, dos hábitos destrutivos do ser humano e de como esses mesmos seres humanos conseguem salvar um patrimônio com união. Pra isso ela usa animais. Sim, as personagens são representadas por animais. Apesar da HQ tratar de um assunto sério, esse recurso traz um ar bem divertido e leve pra história. Independente de você ser de Jundiaí ou não, vale muito a leitura. Rápida, direta e divertida.

Revista As Periquitas #1

A autora participou da Jundcomics, que foi realizada nos dias 29 e 30 de Agosto na Biblioteca Nelson Foot, e gentilmente cedeu uma entrevista pro Profissão: Leitora. Então, vamos conhecer um pouquinho mais sobre ela?

Dadí

PL - Conta pra gente um pouquinho sobre você e como começou a desenhar.

Dadí - Desenhei desde pequena e a família sempre me apoiou. Sempre fui fã de quadrinhos, e minhas primeiras leituras foram Mindinho, que era uma publicação com histórias da Turma do Pernalonga, Tio Patinhas e do Mickey. 
Primeiras leituras da quadrinista
O traço dessas HQs foram muito importantes pra o desenvolvimento da expressão dos meus personagens. E esses personagens eram baseados nas séries de TV que eu assistia, como Flipper, A Feiticeira, O Príncipe e o Dinossauro, entre outras. Eu acredito que isso desenvolveu muito meu desenho, porque eu desenhava muito. Cursei Artes na UNICAMP, e depois de uma longa procura, consegui trabalhar com o que queria: desenhos animados. Fiz trabalhos no estúdio Cigarra Inquietante pro Steven Spielberg, o longa Fievel vai pra o Oeste, e comerciais pra Disney. Depois trabalhei com ilustração de quadrinhos pela Editora Scala na década de 1990, e livros paradidáticos. Após publicar alguns textos em jornais locais sobre os bichos que vivem na cidade, consegui transformar em uma coleção e foi publicada pela FTD com o nome de "Fauna das Cidades". 
Fauna das Cidades #1
Ilustrei por mais algum tempo livros didáticos de ciências, matemática e vários outros. Aí, me aventurei em dar aulas e isso quebrou o desenvolvimento meu lado artístico. Agora estou readaptada e trabalho na biblioteca, com isso ganhei mais tempo e estou voltando a desenhar. Peguei as tiras "Os Pleistocênicos" com as quais trabalhei no Correio Popular de 2000 até 2007, e coloquei no Facebook. 
Os Pleistocênicos
Recebi um convite para participar da revista As Periquitas, e isso fez com que deslanchasse de vez a vontade voltar a desenhar quadrinhos.

PL - Quais seus próximos projetos?

Dadí - Histórias em quadrinhos com aventuras de insetos. É muito interessante mergulhar num mundo minúsculo, mas pra contar histórias quem envolvam intrigas, política, golpes de estado, tudo isso no mundo dos insetos. Afinal, eles também vivem em sociedade e é possível criar inúmeras vertentes diferentes, desde os Anarquistas até os Imperadores.

Muito obrigada Dadí por ceder um pouquinho do seu tempo e agregar tanta história bacana na nossa vida.

A quadrinista pode ser encontrada através do e-mail contato@ilustradoradadi.com ou pelo site www.ilustradoradadi.com.


19 agosto, 2015

Lições do Vitor e da Lu Cafaggi

 Mônica - Lições por itor e Lu Cafaggi
Graphic MSP - 82 pgs

E pra inaugurar a parceria do Profissão: Leitora com o Flynns, eu e o Sander conversamos um pouquinho sobre uma das HQs mais lindas e emocionantes que já li: Lições do Vitor e da Lu Cafaggi. Preparem os lencinhos.



Imagens da HQ

A primeira imagem nas 2 HQs é praticamente igual, porém em Laços (na imagem, é a que está acima) vemos um dia ensolarado e em Lições (na imagem, é a que está abaixo) é um dia chuvoso.


Como em Laços, sempre que temos um flashback os traços e as cores mudam, ganham um ar mais "antiguinho".


Opa, alguém perdeu um par de sapatos, e nunca mais achou. (rs)


Não sei vocês, mas essa ilustração me lembra e muito Valente, outra obra do Vitor Cafaggi.


E mais uma vez encontramos o romântico casal, onde a mocinha "tem os lábios mais tenros que os pomares da Aurora". (rs)


E pra terminar, a ilustração da 1ª folha é uma homenagem linda que os autores prestaram a uma peça teatral infantil do finalzinho da década de 1970.


Em resumo: o quadrinho é lindo demais, a história é emocionante, e os irmãos mais uma vez acertaram em cheio. 

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12 novembro, 2014

Valente sendo VALENTE

Valente para o que Der e Vier 
por Vitor Cafaggi
Panini Comics - 121 pgs

Esse é o 4º volume da série, então contém spoilers.

Como nas edições anteriores, esse volume começa com um prequel que situa o leitor no momento atual da narrativa.

Primeiro semestre da faculdade chegando ao fim, quase ex-namorada voltando de viagem, futura, talvez quem sabe nova garota na área, jogos de rpg, churrascos e mais churrascos. É assim que caminha a vida de Valente nesse momento.

Durante a viagem de Princesa, ele conhece Luna, uma garota mega ocupada, mega popular mas que o apelida de "Rocky"*. Pronto, era o necessário pra arrebatar o coração do nosso mocinho. Aí lá vamos nós mais uma vez, Valente procurando no amor a sorte que lhe faltou no jogo, mas "sem elevar as expectativas e mantendo sempre os pés no chão" (pg. 17).


Seguindo o padrão dos anteriores, aqui também encontramos referências a filmes, seriados e músicas. É impossível ficar indiferente a essa história, porque no fim das contas ela representa um pouco de cada um de nós. Todos já passamos por situações parecidas, senão idênticas às narradas nessa aventura. Mas todos esses medos, tropeços, anseios, ilusões e desilusões é regado a muito humor e excelentes sacadas.


Sem dúvidas, é uma leitura obrigatória pra qualquer pessoa. Ah, e é pra ser lida e relida prestando atenção nos detalhes das ilustrações, muitas vezes elas dizem mais que as palavras.

*referência ao personagem Rocky Balboa do filme "Rocky, um Lutador".



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08 outubro, 2014

E apita o árbitro

Imagine Zumbis na Copa 
por Felipe Castilho (roteiro) e Tainan Rocha (arte)
Gibiz - 48 pgs

Imagine Zumbis na Copa é a 1ª HQ do selo Gibiz da Giz Editorial. E começou muito bem diga-se de passagem. A edição é bem caprichada, as folhas são em papel couche, a capa e contracapas tem orelhas e  tem ilustrações na parte interna das mesmas.

A HQ é dividida em 4 partes: Haiti em 1988; o grande terremoto em 2010, a Copa do Brasil em 2014 e o epílogo. Cada uma dessas partes é distinta das outras, além do contexto, pelos traços e uso das cores.

Tudo começa quando conhecemos Renê, um garotinho haitiano que mesmo diante de inúmeras adversidade  consegue se tornar árbitro de futebol E isso o leva, anos mais tarde, a ser escalado como juiz na Copa do Brasil.

Diante de uma proposta no mínimo indecente, Renê se vê em uma situação onde tem a possibilidade de ajudar a família  tornando-se desonesto, ou deixando o "bem estar" da família de lado, mas mantendo a integridade.

E agora Renê?

E é chegado o grande dia. Depois de anos de preparação, todos estão ansiosos pela grande final da Copa do Brasil, e lá está Renê, árbitro do jogo final. Porém, nas véspera desse jogo, o melhor atleta de uma das equipes decide se divertir fora da concentração. E nhac, ele é mordido. Pronto, o espetáculo está armado. Final de Copa, um jogo possivelmente comprado e um zumbi em campo.

 

IZnaCopa me surpreendeu. Pelo título, imaginava que fosse uma galhofa, mas estava enganada. Ela é uma HQ contundente, que toca fundo na ferida quando usa a paixão nacional pelo futebol pra expor o fantasma do "jeitinho brasileiro". E como em outras histórias de zumbis, o foco aqui não é o surgimento ou a possível cura para o mal, mas sim as relações humanas que ocorrem diante desse fato.



É uma HQ curta, mas é impossível ficar indiferente após o término da leitura.

Excelente roteiro, ilustrações fortes, projeto gráfico impecável.


Só uma dica: LEIA!



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