22 abril, 2016

Parceria com a Editora Lendari

Se segura que tem novidade no ar. Desde o ano passado que estou montando o projeto Brasil, Mostra Tuas Páginas, e dentre outros ainda não tinha encaixado nenhum livro no estado do Amazonas. Aí conheço a Editora amazonense Lendari, e qual não foi minha alegria quando passei na seleção de parceira. Pronto, agora lerei livros amazonenses. 


Vamos conhecer um pouquinho sobre a editora.

Quem somos

Lançada em 2014 pelo escritor Mário Bentes pouco depois de sua participação na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a Lendari é uma editora segmentada e que vem com a proposta de apresentar novos autores no mercado editorial. A seguir, os princípios essenciais que norteiam nossos projetos.

Missão

Organizar, editar e lançar romances e antologias de literatura fantástica, realismo mágico e ficção científica.

Visão

Ser o selo de referência para obras de literatura fantástica, realismo mágico e ficção científica de novos autores no país.

Valores

Apresentar ao público obras de qualidade literária inegável e lançar novos autores ao mercado editorial.

Agora vamos ao catálogo da editora.


“Cortema criança ao meio e dê cada parte a uma mulher”, disse o Rei Salomão, diante das duas mulheres que reclamavam a maternidade de um bebê. De modo que a mãe verdadeira imediatamente protestou, pois preferia ver o filho ser entregue à outra que assistir a morte do inocente, sangue de seu sangue, diante dos seus olhos. Salomão soube, assim, que esta que agora cedia à disputa era senão a matriarca verdadeira, ao contrário da outra, que concordara com absurda sugestão do rei.

A famosa cena é apenas uma amostra da vasta sabedoria do Rei Salomão, que dizem que era inspirado por Deus. Mas há uma lenda antiga que diz que os profundos conhecimentos do rei sobre todas as coisas não vinham unicamente do Criador, mas dos servos daquele que vem, rouba, mata e destroi. No total, Salomão conjurou, ouviu e registrou para si os saberes reunidos de 72 demônios. Ao fim da empreitada, o monarca aprisionou os caídos em um jarro de bronze, o selou e o lançou no fundo de um lago.

Mas os babilônios, vendo tal cena, acreditaram que lá haviam tesouros reais e foram resgatar o artefato, sem que ninguém os vissem. Encontraram-no após dias, abriram-no e concederam a liberdade, outra vez, aos 72 anjos da escuridão. Libertos da clausura, voltaram a percorrer o mundo para atentar, ludibriar e mentir contra os homens – cada um com suas artimanhas, joguetes e aparência.

Do mesmo autor de A terra por onde caminho, a série Minhas conversas com o diabo, de Mário Bentes, reúne, neste primeiro volume, uma coletânea de contos onde tais potestades da terra e do ar encontram-se com seres humanos que, ao contrário dos reis e de outros homens de poder, almejavam coisas simples: reconhecimento profissional, rever um familiar desaparecido ou ter uma nova chance pelo amor. Mas os saberes arcanos, repassados pelos caídos, têm seu preço: seja ele em peso de ouro, prata ou carne.

E, cedo ou tarde, eles voltam para cobrar a conta.


A sombra volta a crescer sob os galhos da Floresta Baixa, os suanam sangue-pedra que caçam entre suas trilhas verdes falam de assobios sinistros, visagens no meio do riacho e de animais sendo mortos. Também falam da rainha dos demônios do mato, da Maria-bicho, Maria-fogo, que se veste com chama branca e assombra as clareiras e o sono caçadores.

Anga, sangue-pedra que mal se tornou homem, cresceu ouvindo falar de como os espíritos ruins se juntam ao redor dela, de como os deuses temem sua malícia que queima feito brasa, mas Anga não sente medo. O suanam, jovem demais para saber o valor da prudência e da verdade tenebrosa que mora no interior de cada história e canção de ninar, resolve seguir os passos da mãe e desafiar a entidade, apenas para descobrir que não são poucos os perigos que o aguardam na Floresta Baixa.


Quase o fim não é uma história com romance, mágica ou final feliz, embora o humor sombrio daquela que nos guia pela escuridão seja surpreendentemente cativante. Em meio à morte, destruição e caos total, Zoé nos leva a conhecer a sua realidade apocalíptica imposta por um grupo terrorista de ação global autodenominado “messias”, que durante séculos camuflaram-se perfeitamente entre nós, os cidadãos mais medíocres, à espera do momento perfeito para a purificação do planeta e a reestruturação da sociedade.

Acompanhamos página após página os relatos alucinantes e despretensiosos, porém cativantes da garota que escreve na esperança de que um dia alguém (sobrevivente ou alienígena) encontre seus blocos de anotações. Zoé nos conta como os “messias” mudaram o mundo não com vírus modificados ou zumbis fabricados em laboratório, ou ainda com uma aliança alienígena. Mas com as velhas bombas e a manipulação da sociedade – ambas as armas já conhecidas de todos nós. Com o bom humor que não costuma preceder cenários e mortes desse gênero, ela narra numa linguagem descontraída os eventos que antecedem o seu fim e quem sabe, o fim de todos.


Muito antes do homem, há o mistério. Em meio à imensidão das florestas, existe algo que vai além dos rios, igapós e das barrancas de terras caídas. Uma chave que brilha em verde-esmeralda e que guarda a entrada da origem de tudo: da copa intransponível das árvores, que quase não permite que o solo úmido veja a luz do Sol, a todo ser vivente que caminha furtivamente pelos meandros dos segredos. Há quem adentre a selva sem pedir permissão e nunca mais retorne. Há quem desista de encará-la quando os ventos trazem o canto invisível do Uirapuru, os passos do Mapinguari ouvidos de muito longe ou mesmo as vozes sem face que sussurram sem dizer uma palavra. E há quem nada saiba sobre ela.

Quando a selva sussurra é uma coletânea de contos baseados em lendas amazônicas. Revisitadas, relidas e reinterpretadas por autores que, como “mateiros” – os homens nativos da região que conhecem como ninguém todas as sinalizações ocultas da floresta –, vão conduzir o leitor à face do inexplorado, ao alcance do mitológico, às estradas perdidas do Eldorado literário onde todas as verdades se apresentam como lendas ainda hoje contadas pela oralidade dos antigos. Histórias que não se perdem quando passadas adiante. E que vão continuar. Porque o mistério permanecerá depois do homem.

Organizador - Mário Bentes
Autores - Alcides Saggioro, Andrés Pascal, Attaíde Marttins, Bruna Galvão, Emerson Quaresma, Jan Santos, Lunay Costa, Marcos Brito, Maria Santino, Patrícia Ferreira, Raphael Alves, Rodrigo Ortiz Vinholo, Rossemberg Freitas e Virgínia Allan

Muito obrigada pela confiança e bem--vindo ao Profissão: Leitora.


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